sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Como você nunca viu

A UnB, que também atende pelo nome de Campus Darcy Ribeiro, tem no seu endereço uma figura historicamente relevante não só para a Universidade de Brasília mas para a educação brasileira. Darcy Ribeiro ajudou a pensar o conceito de escola nova e por causa dele, somos muito felizes por poder passear a la vonté pelos departamentos a fora, vivendo intensamente a idéia de interdisciplinariedade. Apesar disso, poucos, pouquíssimos saberiam reconhecer sua imagem. Outro dia, numa sala qualquer de uma Faculdade qualquer desse mesmo Campus, alguém perguntou: quem é mesmo o mentor da UnB? Aquele que foi antropólogo e trabalhava com o Anísio Teixeira? E alguém respondeu: “É o Dercy Gonçalves?” Não, absolutamente. Essa, apesar da longa vida, nunca passou por aqui. Pelo menos não temos notícia.
Darcy Ribeiro viveu até os 74 anos. Teve uma biografia exótica, recheada de desafios. Passou por muitos países; Uruguai, Equador, México, Portugal, França, Holanda... E sempre preparando grandes e importantes projetos. Também escreveu muito, estudos, romances, literatura infantil. Foi etnólogo, antropólogo, ensaísta, senador, ministro (da educação) e também pesquisador de índios. Mas acima de tudo, foi um educador.
Mesmo sendo contrario a criação de Brasília, ficou encarregado do planejamento da Universidade de Brasília pelo presidente Jucelino Kubitschek. E com a contribuição de outros nomes ligados a SBPC- Sociedade Brasileira do Progresso da Ciência-, como Oscar Niemeyer, ele fez o que seria a mais brasileira das universidades brasileiras. Mesmo, sendo um cosmopolita inquieto, Darcy Ribeiro era muito brasileiro.
E parecia brasileiro. Mineiro, nascido em Montes Claros, no auge de sua vida acadêmica era um sujeito sorridente de cabelo grisalho, óculos totalmente redondos de armação fina e sempre de gola em cores claras e lisas, nunca estamapadas. Numa atenta busca de imagens, a cada dez retratos do Darcy, vemos dez golas do Darcy. Gola pólo, aquela clássica das malhas de camisas masculinas. Gola redonda, aquela larga e engomada. E gola prussiana, aquela alta e dobrada para baixo, própria de ternos militares do século XIX, (essa ele usou seu uniforme de imortal da academia Brasileira de Letras).
Nas orelhas dos livros a cena também se repete. O sorriso e a gola são invariáveis. Podemos dizer que ele era grunge, ou que era minimalista, palavra está mais do que na “crista da onda” hoje em dia. Porquê, respectivamente, ele realmente não era um consumista e se mostrava sempre discreto, sem exageros. Na verdade, se existe uma, ele era simples e só. Diante de todos os truques de moda, é o que mais funciona. Em algumas pessoas, cai tão bem que chega a ser sofisticado.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Como dizia Oscar Wilde: “nosso primeiro dever na vida é assumir uma pose”
A roupa, arrogantemente também invocada por "indumentaria", que remete logo a identidade, pode revelar nosso gosto musical, a nossa profissão ou mesmo o que pensamos. E não se enganem o que escolhemos para vestir é também aquilo que somos. Também. É urgente que se entenda a profundidade de nossa escolhas esteticas. O que vemos não é raso. Ao contrario, é como o azul: profundo. E a moda não é aquilo que vemos nas passarelas ou aquilo que a industria têxtil e, por sua vez, as marcas insistem em emplacar nas ruas. Mas também aquilo que sai do fundo do armário. É uma atitude. Não é uma febre. E pode ser encontrada mesmo nos meios mais apaticos da comunidade ciêntífica. (Aqueles que torcem o nariz para a palavra, lembrem-se, são os mais criteriosos com a moda e às vezes os mais autênticos.) Começando com os professores da UnB, teremos aqui semanalmente um perfil de alguém que freqüenta o campus Darcy Ribeiro. E ele, o próprio Darcy será nossa primeira vítima. Esse blog, apesar de ser escrito por 6 estudantes da Fac, não é um blog de jornalismo! Acreditem. Faremos aqui outras coisas: comentários, artigos gonzos, fofocas... Prometamos escandalo! E o mundo acadêmico tem mais moda e bafafá do que se pode imaginar! A gente promete bisbilhotar muito e contar tudo e não esconder nada. Estaremos por aí olhando todo mundo da cabeça aos pés. Aguardem.